CURAR E REPARAR: HEALING AND REPAIRING – COMENTÁRIO FILIPA JAQUES

posted by filipajaques on 2017.12.14, under Uncategorized
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No seguimento da visita de estudo à anozero’17 – Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra, foi-nos lançado o desafio de fazer um comentário a uma peça que nos fosse mais relevante, que nos tivesse parecido mais significativa ou, por contraste, que não nos dissesse nada de especial.

Para tal exercício, escolho falar sobre o trabalho de Lucas Arruda, pintor brasileiro, 1983, que vive e trabalha em São Paulo. Segundo a sua nota de artista, disponibilizada no catálogo desta exposição, “a sua pesquisa artística parte de memórias da infância e de refências da cultura popular brasileira (…) O desafio que o artista propôe ao observador é quase espiritual: o da leitura de uma imagem vaga e celeste, porém marcada por um elemento que lhe concede a objetividade. O observador relaciona-se com elementos que o transportam para outras realidades subjetivas e que, simultaneamente, o identificam com o artista”.

É verdade! Confesso que não estou bem a ver as três pinturas que lá estavam, só me lembro daquela da cor da parede que estava nas escadas junto à escultura dele (?, eu sei, péssimo da minha parte, mas não estou mesmo a ver) e a que estava exposta dentro da capela, e é sobre esta última e aquele corredor iluminado incrível pelo qual tivemos de passar até ao lado de fora. Para começar, o espaço em si – o Mosteiro de Santa-Clara-a-Nova – é maravilhoso e, tendo uma certa fixação com lugares antigos deste género, acabei, por vezes, a concentrar-me mais no próprio local ao invés da obra à minha frente; até o nome me trás memórias e daí me sentir mais envolvida com a peça deste artista, talvez – não tenho quaisquer ligações a Coimbra, mas, em Évora havia um convento, de vários, chamado Convento de Santa Clara que, após muitas alterações, acabou a ser uma escola, a qual frequentei, mas isso não interessa. O que interessa é que há lendas e tudo sobre o sítio e que está assombrado e havia uma freira que-

Basicamente, senti uma conexão especial com este sítio e a pintura colocada dentro da Capela fez-me lembrar umas paisagens da aldeia onde cresci e, bem sei, como assim comparar a pintura de uma paisagem (supõe-se brasileira) na qual é trabalhada essencialmente a abstração e os detalhes formais como a luz e a cor, com umas quaisquer paisagens de uma wannabe floresta alentejana lá para os lados da Granja? Como te atreves, Filipa! A disposição da tela, a um canto, quase como se alguém menos interessado for só lá espreitar para dentro nem dá pela presença de tal quadro, pois está mesmo escondido do lado da porta; o espaço em si, abandonado, mas não completamente arruinado, que lhe confere um ar meio romântico e propício para a descoberta, na minha opinião; entre tantas outras características, fizeram com que houvesse um maior interesse nesse trabalho, em particular, e lhe desse extra relevância.
Agora o corredor iluminado. Ui! Pena que entrámos uns 10 em conjunto e para o final já iam 5 dos nossos parceiros lá ao fundo, ao que só oiço um “F******* OS MEUS OLHOS!” (perdoem-me o francês) e que acabou por estragar esse elemento surpresa, suponho. Pessoalmente, acho que tem de ser experienciado a solo ou com alguém que ande ao mesmo ritmo que nós, porque senão já se sabe o que vai acontecer porque há outros tantos caramelos que já estão quase a voar pela saída quando se acabou de entrar, mas lá está, isso é porque todos temos maneiras e ritmos diferentes de “ver” as coisas. Ao princípio foi um pouco assustador? Ou melhor, foi a expectativa do que viria. Não se via nada, tudo completamente escuro e nem sabíamos se havia buracos no chão, mas continuamos em frente até que as primeiras luzes se iluminam de repente. Daí em diante percebemos que se seguia um padrão de, a cerca de cada 2 metros, os sensores ativavam e as luzes disparavam cada vez mais intensas e brancas. Já a meio do corredor sentiu-se a discrepância de velocidades: uns 5 colegas já a chegar ao fim, a Maria tirava fotografias como registo, a Sílvia aproximava-se de nós meio assustada e enquanto esperávamos pelo resto do pessoal, que lentamente chegava, andava eu perdida em pensamento a pensar no quanto queria entrar dentro daquelas celas (portanto, a loucura dos locais inabitados kicking in).
Não achei tão retroespectiva a experiência dentro do corredor como com a do quadro na Capela, mas acho que tem tudo a ver com a circunstância - de certeza que teria sido ainda mais impressionante se tivesse feito o percurso dentro daquele hall sozinha em vez de ir acompanhada com outras pessoas de ritmos tão diferentes… sem ofensa.

Anozero ’17: Sílvia Ávila

posted by silviaavila on 2017.12.13, under Uncategorized
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Na passada quinta-feira deu-se a visita de estudo à Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra. De todas as obras às quais tivemos oportunidade de vivênciar salientou-me o trabalho “Confins de Memória” 2017, Instalação, metal, água, som, luz, de Rubens Mano.

A instalação era num espaço escuro sujo com água até ao nível das canelas e parecia abandonado tal como os carros que lá estavam sustentados por trocos.

O trabalho implicava o uso de um saco de plástico a servir de meia e botas de cano que, provavelmente por motivos práticos, eram extremamente grandes. Andar com elas até à entrada foi muito incomodo porque o plástico escorregava e estava sempre à espera que saltassem fora do pé, mas assim que pus os pés dentro d’água a pressão fazia as botas encolherem e ao mesmo tempo parecia que queriam boiar! A sensação era incrível; os pés ficavam frios/húmidos e apertados mas não se molhavam era quase impossível levantar os pés do chão sem respingar tudo.

Apenas 1 dos carros tinhas os faróis ligados, o que estava de costas para a porta, e quando me pus no centro de frente para os faróis senti-me num filme em que estava prestes a ser atropelada e não via por quem por causa do encadeamento.

Havia também uma trilha sonora, super ambiente mas muito presente e reconfortante a fechar o encanto quase hipnótico e zen que o espaço partilhava. O espaço pedia mais tempo, mas acho que mesmo meia hora ia achar pouco porque o som e os carros a circular-nos e a sensação nos pés de quase andar sobre a água sem levantar os pés do chão. Sinceramente, saber que os carros eram do ilustre Salazar e foram ali guardado e esquecidos e encontrados pelo artista a quando de usar o espaço para a bienal é um pouco aquela curiosidade sobre como ele chegou ao resultado que chegou mas o que realmente venceu foi o calçar a água e ouvir o chapinhar…. É quase como se tivessemos nós à descoberta do espaço e de alguma coisa que lá está mas que não é física.

Wolfgang Tillmans, Fragile – Visual Album – ‘That’s Desire / Here We Are EP’ (2016)

posted by Maria Mire on 2017.12.12, under Artistas, Sugestões
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Ver o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=–14I6ajk5c

Bruce Nauman, Art Make-Up No. 1, White (1967)

posted by Maria Mire on 2017.12.12, under Sugestões
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Ver vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=cOB5L89cC8A

It’s me: Maria Callapez

posted by Maria Mire on 2017.12.12, under It´s me
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Lucas Samaras: Another autointerview (1971)- Exercício de aula

posted by inesferreira on 2017.12.12, under Uncategorized
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A pedido da professora fica aqui a nossa resposta ao exercício da aula, do grupo constituído pela Aurora Amado, Inês Araújo, Inês Mesquita, Laura Conde e Kate Leppert.
https://youtu.be/9lLR4fhaxoQ

Anozero’17 Rodrigo Guimarães

posted by rodrigoguimaraes on 2017.12.12, under Visitas de estudo
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No passado dia 7 visitámos a Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra.

Do vasto conjunto de trabalhos de diferentes artistas dispostos em vários locais da cidade que tivemos oportunidade de assistir destaca-se, para mim, a obra de Julião Sarmento.

O trabalho do artista português percorre todo o corredor do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova e consiste numa instalação de luz.

O espectador, inicialmente, está situado no início do corredor, submerso por uma total escuridão que anula completamente todas as noções de espaço. À medida que este percorre o corredor, luzes colocadas no teto são ligadas, cada vez mais claras e em maior número, que conduzem os presentes cada vez mais perturbados pela claridade até ao apogeu da obra: várias luzes são projetadas sobre um painel totalmente branco que resulta na presença de uma luminosidade verdadeiramente cegante e intensa para o olhar dos observadores.

Para mim, esta criação artística destaca-se pela forma particular como guia os participantes no espaço e os “obriga” a “descobrir” o trabalho. O carácter progressivo que o trabalho assume suscita curiosidade no espectador e encaminha-o de forma natural até ao seu final, onde este, já um tanto encandeado é surpreendido por um painel de cor branca abundantemente iluminado que emana uma forte claridade que o desconforta.

Anozero’17- Laura Conde.

posted by lauraconde on 2017.12.12, under Uncategorized
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De todas as obras que tive a oportunidade de ver e vivenciar na Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra a que mais me captou interesse foi, “Confins de Memória, 2017, Instalação, metal, água, som, luz, de Rubens Mano.
Para esta instalação ganhar dimensão propôs-se que à entrada entrássemos com umas galochas vestidas (para mim esse pequeno pormenor fez com que me sentisse noutro planeta, devido ao facto da borracha flutuar).Uma vez dentro percebemos um espaço, inundado, abandonado e escuro, apenas com a luz dos faróis de um dos cinco automóveis que se encontravam em círculo em cima de troncos de árvore. Ouvimos também uma melodia bela e hipnotizante, que completava sem dúvida nenhuma a instalação.
Há medida que me ambientei, esta obra envolveu-me duma forma imersiva. Toda a instalação remeteu para as minhas memórias mais profundas. Senti que podia ficar naquele pequeno espaço muito tempo e não me fartar, como se fosse uma espécie de refúgio. Quando me deparei no meio da roda que os carros formavam senti uma espécie de intimidação, uma sensação de observação constante mas apesar dessa sensação forte sentia-me realmente em paz, sentia-me a flutuar, num espaço com gravidade zero, isso para mim foi o melhor que aquele espaço me deu.
Fiquei sem saber muito bem como me sentir em relação à instalação, mas se calhar foi por isso que gostei tanto dela.
Gostava de ter estado mais tempo naquele espaço inundado, para me afundar devagar com ele.

Anozero’ 17 – Aurora Amado

posted by auroraamado on 2017.12.11, under Uncategorized
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Na visita à Bienal de Arte Contemporânea em Coimbra, com o tema Curar e Reparar o trabalho que mais se destacou a meu ver foi a vídeo instalação intitulada More Sweetly Play the Dance por William Kentridge.

Mal se entra na sala senti uma certa inquietação perante as imagens projetadas que se mostrou justificável. Começa a tocar música e as personagens que participam na parada – que vão entrando em cena – criam um ambiente que se associaria a uma situação alegre e comemorativa, mas perde logo essa conotação devido às fortes imagens – que já se anunciavam desde o inicio – de pobreza, devastação e desumanização com pessoas feridas, escravizadas e mortas a serem arrastadas de um canto para o outro.

Para além do que as imagens representam também a maneira com elas são apresentadas fortifica os temas explorados neste trabalho. A incorporação tanto do desenho e do real – os dançarinos que desfilavam, sendo as figuras desprovidas de identidade, com estão quase totalmente cobertas por sombra – deu uma dinâmica e peso diferente às imagens e personagens que passavam à nossa frente. Permitiu explorar uma expressividade brutal que nos remete para um mundo algo surreal e macabro que não se afasta realmente da realidade.

Todas estas caracterizas dão ao trabalho um peso critico e irónico que me prendeu ao mundo que me estava a ser apresentado, fazendo-me sentir sempre inquieta.

Sequence 01_1

Anozero’17- Juliana Nóbrega

posted by juliananobrega on 2017.12.11, under Uncategorized
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No âmbito da disciplina de AM1 (Atelier de Multimédia 1), dia 7 de Dezembro eu, a minha turma e outros docentes da faculdade fomos a Coimbra para assistir à Bienal de Arte Contemporânea- Anozero.
Começámos o dia pelo Mosteiro de Santa Clara-a-Nova onde pudemos vislumbrar várias obras de variadíssimos artistas. Alexandre Estrela, Fernanda Fragateiro, Gustavo Sumpta, Julião Sarmento, , entre outros artistas, tiveram presentes neste local projetos da sua autoria.


Mas a bienal não teve lugar só e apenas neste grande marco histórico, distribuindo-se assim por toda a cidade desde o Mosteiro de S.Francisco até ao Círculo Sereia.

De todos os espaços, o que mais gostei de visitar foi o Mosteiro de Santa Clara. Não só pelo ambiente mas por toda a história que havia por detrás daquele local amplo, frio com jardins lindíssimos e aleatoriedades de onde a onde.
Agora, incidindo mais nas obras em si, apesar de todas me terem tocado de alguma forma, a que mais achei interessante e iterativa foi a de

Julião Sarmento, Estudo para Cura, 2017.
A obra site-specific deste artista baseava-se num longo túnel com sensores de luz que ativavam assim que um corpo passasse por eles. Esse túnel era onde se encontravam os dormitórios das “irmãs” daquele tempo.
Todo o percurso é feito com algum suspense. No início, começámos por caminhar calmamente a medo, porque afinal ninguém sabia o que havia no meio da escuridão. Mas aos poucos e poucos a intensidade luminosa foi crescendo sem nunca revelar na totalidade o espaço em si.
No final, para grande surpresa um grande foco de luz pálida emana sob nós, deixando-nos estáticos perante a tela branca.
Foi uma experiência incrível e achei uma boa iniciativa, venham mais!

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